* Este é um artigo do nosso colunista convidado Eduardo Amuri.

As pessoas lidam com dinheiro de formas bem variadas, cada um tem seus trejeitos e neuras, mas muitas vezes fica bem nítido um determinado padrão de comportamento, uma série de posturas que adotamos para enfrentar as situações e entraves com os quais nos deparamos no dia a dia.

Sutil ou grosseiramente, vamos nos aproximando mais de um perfil do que de outro. Conservador, arrojado, pão-duro, gastão. São muitos. Esses perfis na verdade representam conjuntos de saídas fáceis que nosso cérebro executa, já que seria inviável (e dolorido) dedicarmos esforço mental para todas as nossas escolhas. Na dúvida, reagimos com a emoção, no piloto automático. Dá muito trabalho colocar o cérebro para agir de maneira racional. Muitas vezes essa reação impensada e repetida vira o que chamamos de hábito.

Para fechar com chave de ouro, não contente em tomarmos decisões estritamente emocionais, muitas vezes buscamos explicações racionais para embasá-las. O objetivo aqui é colher argumentos para que enfim possamos descansar com a consciência tranquila. Juntamos esses argumentos todos e tentamos convencer aos outros e a nós mesmos que aquilo sim era o certo a se fazer. Saímos do trabalho depois de um dia exaustivo, andamos pelo shopping e tentamos nos convencer de que não dava para continuar usando a mochila que já tínhamos, precisávamos de uma nova, por que a outra estava feia ou por que não cabia o notebook direito.

Se reconhecer em tal perfil e enxergá-lo como forte influenciador no nosso processo de tomada de decisão é, ao meu ver, um meio eficiente para que ele não nos cegue. É torná-lo tão evidente, ao ponto de se tornar ridículo e cair.

Aceitar que temos uma certa tendência ao pão-durismo, por exemplo, pode ser um excelente exercício de generosidade. Entender e relaxar frente à vontade incontrolável que surge de comprar algo pode ser um ótimo primeiro passo para finalmente entender que, o que estamos procurando naquele momento não é um sapato ou uma bolsa, mas sim uma pequena porção de satisfação, um pequeno prazer. É mais fácil assumir o controle da situação dessa forma.

Observar esses padrões surgindo nas outras pessoas costuma funcionar, desde que nos coloquemos em uma posição contemplativa (e não julgadora), caso contrário torna-se um tiro no pé.

Negar com um discurso puritano também é furada. O máximo que sai disso é culpa. Melhor do que dizer “eu não estou com vontade de comprar esse sapato” é dizer “estou com vontade de comprar essa sapato, mas sei que agora não devo”. Nossas chances de sucesso aumentam a medida que somos mais comprensivos com nós mesmos.

Em vez de de tentar deixar para trás anos de hábitos adquiridos, é melhor convidá-los para jogar junto.

—-
Eduardo Amuri é fascinado por cultura, viagens, pessoas e mudanças. Estuda a relação do homem com o dinheiro e dedica-se a entender de que maneira nosso potencial financeiro pode ser utilizado para transformar nossas vidas. Está para o que vier.

* Este é um artigo do nosso colunista convidado Eduardo Amuri.

As pessoas lidam com dinheiro de formas bem variadas, cada um tem seus trejeitos e neuras, mas muitas vezes fica bem nítido um determinado padrão de comportamento, uma série de posturas que adotamos para enfrentar as situações e entraves com os quais nos deparamos no dia a dia.

Sutil ou grosseiramente, vamos nos aproximando mais de um perfil do que de outro. Conservador, arrojado, pão-duro, gastão. São muitos. Esses perfis na verdade representam conjuntos de saídas fáceis que nosso cérebro executa, já que seria inviável (e dolorido) dedicarmos esforço mental para todas as nossas escolhas. Na dúvida, reagimos com a emoção, no piloto automático. Dá muito trabalho colocar o cérebro para agir de maneira racional. Muitas vezes essa reação impensada e repetida vira o que chamamos de hábito.

Para fechar com chave de ouro, não contente em tomarmos decisões estritamente emocionais, muitas vezes buscamos explicações racionais para embasá-las. O objetivo aqui é colher argumentos para que enfim possamos descansar com a consciência tranquila. Juntamos esses argumentos todos e tentamos convencer aos outros e a nós mesmos que aquilo sim era o certo a se fazer. Saímos do trabalho depois de um dia exaustivo, andamos pelo shopping e tentamos nos convencer de que não dava para continuar usando a mochila que já tínhamos, precisávamos de uma nova, por que a outra estava feia ou por que não cabia o notebook direito.

Se reconhecer em tal perfil e enxergá-lo como forte influenciador no nosso processo de tomada de decisão é, ao meu ver, um meio eficiente para que ele não nos cegue. É torná-lo tão evidente, ao ponto de se tornar ridículo e cair.

Aceitar que temos uma certa tendência ao pão-durismo, por exemplo, pode ser um excelente exercício de generosidade. Entender e relaxar frente à vontade incontrolável que surge de comprar algo pode ser um ótimo primeiro passo para finalmente entender que, o que estamos procurando naquele momento não é um sapato ou uma bolsa, mas sim uma pequena porção de satisfação, um pequeno prazer. É mais fácil assumir o controle da situação dessa forma.

Observar esses padrões surgindo nas outras pessoas costuma funcionar, desde que nos coloquemos em uma posição contemplativa (e não julgadora), caso contrário torna-se um tiro no pé.

Negar com um discurso puritano também é furada. O máximo que sai disso é culpa. Melhor do que dizer “eu não estou com vontade de comprar esse sapato” é dizer “estou com vontade de comprar essa sapato, mas sei que agora não devo”. Nossas chances de sucesso aumentam a medida que somos mais comprensivos com nós mesmos.

Em vez de de tentar deixar para trás anos de hábitos adquiridos, é melhor convidá-los para jogar junto.

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Eduardo Amuri é fascinado por cultura, viagens, pessoas e mudanças. Estuda a relação do homem com o dinheiro e dedica-se a entender de que maneira nosso potencial financeiro pode ser utilizado para transformar nossas vidas. Está para o que vier.