Escolha sua vida | Paula Abreu

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Otimismo ou por que vale a pena ser louco

Tenho certeza de que você conhece pelo menos uma pessoa que é tão, mas tão sortuda que chega a ser irritante. Essa pessoa tem um trabalho maravilhoso – melhor que o seu, claro –, um namorado bonito e carinhoso, amigos mais maneiros que os seus, enfim, tudo na vida dela parece funcionar muito melhor do que na de todo mundo em volta. E você pensa que ela não é nem mais inteligente, nem mais bonita e nem mais maneira que você, então por que diabos tudo dá certo pra ela?

Vou te contar o grande segredo da “sorte”. Vem comigo.

Trabalhei sempre em empresas grandes e interessantes, fiz meu mestrado em uma universidade americana Ivy League e, quando resolvi adotar, apesar de tudo que se fala sobre a burocracia da adoção no Brasil e yada yada, estava em menos de sete meses – menos do que uma gestação! – com meu filho em casa.

Em 2012, quando resolvi abandonar a minha carreira de advogada, poucos meses depois estava fazendo meu primeiro dinheiro como coach, sem ter  anunciado em lugar nenhum que estava fazendo esse trabalho.

O mais interessante de tudo isso é que eu sempre tive certeza de que todas essas coisas na minha vida dariam certo.

Tenho amigos que criticam o meu otimismo, dizem que eu fantasio demais. Uma vez, já escutei inclusive que eu sou louca. Mas não, eu não sou louca nem estou com um fone gigante nas orelhas abafando a minha  audição e gritando “siiiiiiiim!” pra trocar um carro zero por um cacho de bananas. Eu não estou me enganando sobre mim mesma, nem sobre os outros, nem sobre a vida.

Acontece que esse otimismo, que eu carinhosamente chamo de fé patológica, de fato abre portas e cria oportunidades.

Como eu não entendo nada de eletricidade, quando eu aperto o interruptor de casa e a luz acende, se você me pedir pra explicar esse fenômeno eu vou dizer, brincando: MÁGICA!

Mas não é mágica o que acende a luz, e também não é mágica que faz com que o otimismo atraia coisas boas para a vida do otimista. E nem precisamos entrar num papo kumbaiá pra explicar isso.

O otimismo tem um impacto direto sobre as pessoas em volta de você. Uma pessoa otimista irradia otimismo, animação e energia positiva, o que faz com que as pessoas queiram se associar a ela, ajudá-la, contratá-la ou trabalhar pra ela.

Pessoas que pensam grande são raras hoje em dia e, quando a gente encontra uma, a gente tem vontade de estar perto, porque é interessante, é divertido, é excitante, é sempre um aprendizado.

No dia em que decidi definitivamente que não voltaria a trabalhar como advogada, eu pensei no pior cenário – e se desse tudo errado e eu precisasse de dinheiro?

A coisa mais reconfortante do mundo foi a resposta que veio imediatamente no meu coração: “quirida”, você pega esse seu filho lindo, se muda pro interior da Bahia e vai ser garçonete num restaurante de pescador, bota ele numa escola pública e tudo vai dar certo.

O otimista não tem medo do fundo do poço, da recessão, da bomba atômica, do desemprego, de nada, porque ele sabe que tudo na vida é resolvível e que ele vai sempre encontrar uma solução, se virar, encontrar as pessoas certas na hora certa, recomeçar do zero e ser ainda mais feliz do que antes.

Vou repetir, porque esse é um dos meus lemas: tudo na vida é resolvível.

Ser considerado saudável em um mundo doente? Não, obrigada. Vou continuar alimentando essa minha incurável “loucura”.

E espero fazer minha modesta contribuição para que você fique cada vez mais louco também.

 

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