Escolha sua vida | Paula Abreu

“Como você vai pagar as suas contas?”
“Como o pobrezinho do Davi vai viver sem Discovery Kids?”
“O que? Você vai se mudar pra um apartamento menor?”
“Acho que você está louca”.

Desde que comecei a escrever esse blog e falar das mudanças na minha vida, recebi muitas mensagens de incentivo tanto de amigos quanto de desconhecidos, mas também ouvi muitas vezes os comentários acima ou outros parecidos. Que, muitas vezes, são feitos com um quê de agressividade, até.

O que algumas pessoas precisam entender é que, quando eu mudo ou quero mudar alguma coisa na minha vida, eu não estou necessariamente criticando ou questionando esta mesma coisa na vida de ninguém. A idéia de escrever sobre as minhas mudanças não é forçar ninguém a fazer as mesmas mudanças, mas sim inspirar e incentivar as pessoas a fazerem qualquer mudança que acharem importante ou necessária.

Na história que publiquei ontem, uma leitora resolveu tomar as rédeas da sua saúde e do seu corpo e começou uma dieta e exercícios para perder peso, depois de bater os 135kg. Embora eu adore comer saudável e fazer exercícios – e fale sobre isso aqui – eu nasci, cresci e continuo magricela, então qualquer mudança de estilo de vida que tenha a ver com o meu corpo, apesar de bem-vinda se significar mais saúde e bem estar, não está na minha lista de prioridades. Porque eu já me sinto bem com o meu corpo, tanto em termos de saúde quanto esteticamente.

Ou seja, eu mudo o que eu preciso mudar daqui e vocês mudam o que precisam mudar daí pra todo mundo ser mais feliz. Se tiver coincidências, ótimo, vamos trocar idéias e experiências. Se não, nos incentivamos mutuamente.

Mas, como bem disse o meu amigo Alex, as pessoas se sentem criticadas e se sentem questionadas no seu próprio estilo de vida. Imagino que se estivessem bem felizes e satisfeitas com as suas próprias escolhas, não se incomodariam mesmo que, de fato, estivessem sendo criticadas ou questionadas, né não?

(eu, por exemplo, não estou dando a mínima pras críticas)

Então eu vou usar uma expressão que eu vi no outro dia no The Minimalists e adorei: “Não é você, sou eu”.

Se eu quero doar as minhas coisas e viver com menos, é porque está ME incomodando ter tanta coisa, tanto acúmulo desnecessário, gastar tanta energia cuidando e mantendo essas coisas de que eu no fundo não preciso. Não quer dizer que eu acho que ninguém deva se desfazer de nada…não é você, sou eu.

Se eu quero fazer Arte (escrever, tocar piano, fazer música, pintar…) é porque isso faz bem pra mim, faz parte da minha vida desde que eu tinha 3 anos de idade, está no meu DNA, me faz feliz. Pode ser que o que te faz feliz seja pular de pára-quedas (que eu, por exemplo, nunca faria porque tenho medo de altura), ou ter 5 cachorros, ou ir pra uma praia de nudismo. Ninguém é obrigado a ser artista.

Se eu gosto de comer legumes, verduras, frutas, pratos coloridos e balanceados (e olha, eu também adoro uma pizza de vez em quando ou um baconzitos vendo filme), não quer dizer que estou criticando você que come todo dia na churrascaria rodízio ou esquenta uma lasagna congelada no microondas depois do trabalho.

E por fim – o mais polêmico, pelo visto – se eu escolhi não ter mais carro e andar pela cidade de bike, metrô, ônibus, táxi e a pé, não significa que eu ache que todo mundo deve fazer isso. Para algumas pessoas, não é nem viável.

O que eu quero, e quero mesmo, é fazer você parar pra pensar, se perguntar, se questionar, e descobrir o que você pode mudar na sua própria vida em busca de mais qualidade, pra ser mais feliz. É só plantar a semente da dúvida e convidar à reflexão.

De resto, não é você, sou eu.

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