O que eu não faço mais – 2

Não vou ao supermercado. Gente, eu não nasci pra isso. As internetes estão aí pra fazer a nossa vida melhor, e me explica por quê eu levantaria meu rabo gordo da poltrona pra ir a um lugar que, ultimately, eu detesto, se eu posso fazer isso mais rápido e melhor e mais barato do conforto do meu lar?

Sim, mais barato porque, se eu piso no mercado, minhas compras já saem uns 250 reais mais caras, porque eu sou movida pelo visual e pela gula e fico achando que waffle congelado é artigo de primeira necessidade, e como eu posso viver sem cobertura de sorvete de açaí – independente de ter sorvete em casa ou não – meldels?

Isso sem falar nas vantagens mais óbvias de se fazer compras em casa: não carregar peso (odeio!) e não ver gente (eu adoro gente, mas a minha gente, sacumé? tipo vamos todos nós ao mercado na mesma hora e local e eu vou ficar feliz… mas, estranhos? eu dispenso).

Aí uma amiga minha me disse, ao saber que eu nunca, nunquinha que piso no supermercado: “ah, mas na internet nunca tem as coisas mais ‘diferentes’ que eu gosto”. Mas aí que tá, eu quero viver sem essas coisas. Eu quero comer o que tá disponível na estação, não quero comer blueberries no café da manhã todos os dias, to ligada e aceito que moro-num-país-tropical-abençoado-por-Deus-e bonito-por-natureza. E ainda por cima no balneário.

E mesmo que eu quisesse muito consumir o pó de café que um guaxinim – ou coisa que o valha – defeca no meio do deserto depois de ser massageado por 37 virgens muçulmanas, tem uma coisa que eu quero ainda mais que isso, um luxo ainda mais escasso: meu tempo.