No meu dia perfeito, eu acordo cedo com a luz do sol gentilmente abrindo meus olhos. Fico me espreguiçando/alongando na cama por uns 10 minutinhos, pensando empolgada em tudo que me espera.

Levanto e visto a minha roupa de corrida. Acordo meu filho de 4 anos, ajudo ele a colocar o uniforme da escola. Fazemos ovo mexido e tomamos café da manhã juntos. Andamos até a escola dele. Lá, encontro as outras mães que são minhas amigas queridas, dou oi pras professoras.

Saio correndo pela rua — literalmente — e, em 10 minutos, estou no Aterro. Continuo correndo, mas agora com uma das vistas mais bonitas do mundo: a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar, o Corcovado.

De volta em casa, tomo um banho quentinho e como meu café da manhã de ovos, chá e frutas (antes da corrida eu como só uma banana ou iogurte, e água) enquanto leio meus blogs favoritos e que me inspiram.

Depois, passo o dia fazendo o que eu sempre quis fazer da vida: escrevendo um livro que acredito que vai mudar a vida de um monte de pessoas. E esse blog, também.

Ocasionalmente, faço uma pausa pra tocar um pouco de piano, ou fazer um desenho, pintar um quadro. Ou simplesmente conversar com meus amigos enquanto como uma tangerina.

De tarde, ando pelo bairro ouvindo música, vou até a escola do meu filho, e voltamos conversando, rindo e conhecendo o nosso novo bairro. Tomamos banho juntos com mamutes e dinossauros, depois jogamos dominó ou assistimos a um desenho. Jantamos juntos e ele pede um pouquinho do meu brócolis e da minha couve-flor, que comemos crus.

Nove da noite ele dorme e eu fico lendo meus livros, vendo meus filmes, e me inspirando pra um novo dia perfeito.

Há exatamente um ano, o meu dia era muito diferente. Eu acordava triste. Colocava meu filho no ônibus da escola e, minutos depois, eu estava dentro de um carro de 100 mil reais, chorando a caminho de um trabalho “dos sonhos” que eu não amava.

Eu chegava em casa e meu filho já tinha tomado banho e jantado. Eu estava cansada e irritada demais pra jogar dominó com ele. Eu deitava pra dormir pensando que estava jogando a minha vida — essa oportunidade única — no lixo.

Quanta coisa acontece em um ano.

Escolhi ter uma vida melhor, e vivo essa vida melhor a cada dia, a cada instante, em cada decisão. No caminho, vou criando a minha tribo, o meu exército de soldados prontos a combater o conceito pré-estabelecido de “sucesso”. E vou dormir todos os dias feliz porque sei que, do outro lado dessa tela, tem gente se inspirando no meu dia perfeito pra criar o seu próprio dia perfeito, a sua própria vida melhor.

O meu dia perfeito foi ontem. Está sendo hoje. E vai ser amanhã de novo.