A pedidos, vejam de novo o documentário que conta como os holandeses conseguiram a sua rica rede de ciclofaixas, que hoje permite que Amsterdã tenha um trânsito tranquilo, sustentável e super seguro para as bikes.

Ao contrário do que muitos pensam, a infra de Amsterdã para bikes não é antiga, mas sim posterior à 2a Guerra Mundial. O país enriqueceu e foi reconstruído pensando nos carros (prédios demolidos pra se fazer mais ruas, grandes estacionamentos construídos, e até mesmo as antigas ciclofaixas foram destruídas para dar mais espaço para os carros).

E, também ao contrário do que muitos pensam, ela não foi construída por bondade/eficiência do governo e aí então as pessoas começaram a usar, mas exatamente o contrário: as pessoas começaram a ir com suas bikes para as ruas e botaram pressão no governo até que se tornou impossível não dar atenção ao assunto.

Antes disso acontecer, o volume de bikes na rua diminuía a cada ano e, só em 1971, morreram 3,3 mil ciclistas, dentre eles 400 crianças de menos de 14 anos.

Foi justo a morte destas crianças que levou as pessoas às ruas. Isso, somado à crise do petróleo de 1973, levou o governo a decidir que uma mudança era necessária para que o país fosse menos dependente de energia.

Acho belíssima a imagem aos 3:40″ do filme, com a população protestando deitada no chão com suas bikes.

A partir daí, começaram novas políticas de incentivo ao uso de bicicletas, “domingos sem carro” e, claro, a construção de ciclovias. A adesão foi imensa (mais de 60% da população).

Pelo que recebo de emails e mensagens e pelo que converso com amigos e conhecidos, tenho certeza de que, no Rio de Janeiro, se as ciclovias e ciclofaixas forem construídas, MUITA gente optará pelas bikes. E tenho certeza, também, de que isso vai resultar numa cidade melhor para todos.

Eu quero essa cidade melhor para mim e especialmente para o meu filho. Mas ela só vai existir se a população exigir.

Se você, como eu, também gostaria de poder usar a sua bike com segurança na cidade e, pelo menos de vez em quando, deixar o carro na garagem — ou se livrar dele de uma vez por todas –, compartilhe esse post com seus amigos.