Bike – Onde andar e como?

Uma leitora mandou a seguinte dúvida: “não existe um consenso sobre o que é melhor quando não há pista para ciclistas: andar na rua, na calçada, na rua em sentido contrário, na rua no mesmo sentido dos carros, etc.”

A resposta, para nossa felicidade, está também no Código Nacional de Trânsito:

“Art. 58 – Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.”

 

Ou seja: lugar de bike é, sim, na rua (e com preferência sobre os carros!). E a circulação é no sentido dos carros. Excepcionalmente, a circulação pode ser no sentido contrário ao fluxo (contra-mão) quando autorizado por autoridade de trânsito, mas só quando existir ciclofaixa. E, idealmente, o ciclista deve andar na pista da direita.Bikes não podem circular nas calçadas – lugar de pedestre! – a não ser que o ciclista esteja desmontado e empurrando a bike. Nesse caso, o ciclista se equipara ao pedestre e, por isso, pode circular nas calçadas.Como vocês podem ver, as dúvidas e confusões e desrespeitos frequentes acontecem muito mais por pura falta de conhecimento e educação no trânsito do que falta de regras. E conhecer as regras é o primeiro passo pra exigir o cumprimento. 😉

Bike – O que é obrigatório?

De acordo com o Código Nacional de Trânsito, são equipamentos obrigatórios da bicicleta: “a campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.”

O capacete, por incrível que pareça, apesar de importantíssimo, não é obrigatório. O.o

Já liguei pro meu personal bike conserteitor e ele vem aqui daqui a pouco trazer tudo o que falta pra minha bike ficar 100% dentro da lei. O capacete, é claro, eu já tenho.

Bike – Primeiro passeio

Ontem tirei minha bike da garagem pela primeira vez em mais de seis meses. Antes mesmo de sair com ela na rua, consegui a proeza de arrancar um naco de pele do tornozelo – senhores, eu sequer tinha montado na bicicleta ainda. Essa sou eu, muito prazer. Bike pra mim ainda é sinônimo de perda de sangue, ainda que pouco.

Depois, um agradável passeio com um amigo até o MAM, durante o qual foquei toda a minha atenção em não cair na Baía de Guanabara quando conversamos emparelhados (uma das minhas dificuldades) e em não cair, de um modo geral. Porque, independente de ser na Baía ou não, não ia ser bonito de se ver.

Foi um passeio educativo. Percebi, na conversa com meu amigo, que mesmo ciclistas mais experientes como ele ainda têm dúvidas sobre regras e melhores práticas do ciclismo urbano. Então, inspirada no amigo e nessa minha reestréia sobre duas rodas, vou criar uma seção de perguntas freqüentes, mitos e realidades de bike por aqui. Se tiverem dúvidas, podem mandar pra inbox ou por comentário.Ah sim, e o mais importante da minha reestréia: sobrevivi.

Corrida – O meu mantra

Uma das coisas que me encantou logo que comecei a correr foi descobrir que muitos corredores tinham uma espécie de mantra que ajudava a vencer obstáculos e encarar melhor os desafios da corrida. Era o que eu precisava.

O mantra tanto pode ser voltar a sua atenção para um som repetido, como a sua respiração ou suas pegadas no chão, quanto pode ser uma frase que você repete na sua mente enquanto corre.

O meu mantra ficou sendo um que li numa matéria um dia: “a sua mente é o seu limite”. Acho perfeito praquelas horas em que a minha mente começa a fraquejar e me falar coisas desencorajadoras tipo “eu vou morreeeeeer”.

Outros mantras legais:

“A dor é inevitável. Sofrer é opcional”. (Haruki Murakami)

“Corra quando você puder, ande se tiver que andar, rasteje se for necessário, mas nunca desista.” (Ultramaratonista Dean Karnazes)

“Winners never quit, quitters never win”.

“A dor é temporária, desistir é pra sempre”.

Bike Love

Em 2010, quando me mudei de São Paulo de volta para o Rio de Janeiro, vendi meu carro e passei a usar só o carro da empresa onde vim trabalhar. Esse mês, de repente, me vi sem carro pela primeira vez na vida desde os 18 anos. E, feito Deus na criação do Universo, vi que era bom.

Estava perto de fazer uma cirurgia que vai me deixar um mês sem poder dirigir mesmo (faltam 6 dias!) e me dei conta de que, por conta da lei seca, praticamente só usava o carro durante a semana, pra ir ao trabalho – coisa que não preciso mais fazer. Ou seja, zero necessidade de comprar um carro novo.

E uma das regras da minha vida melhor é: se não é necessário, não tenha.Minha primeira providência foi consertar as minhas bikes. Tenho duas, uma mountain bike melhorzinha e uma bike genérica com cestinha pra afazeres domésticos. Descobri um sujeito bem bacana que vem em casa consertar, e fiz a devida revisão de ambas.

A segunda foi começar a repensar essa dependência do carro que o carioca – eu incluída – tem, numa cidade tão pequena e de clima tão ameno. Falta estrutura, concordo, e falta segurança, também concordo, mas sem pressão popular nada disso muda, e o melhor exemplo é a Holanda (vou postar um vídeo sobre isso já já).

A verdade é que a gente vai se acomodando com coisas que a gente não precisa, e vai ficando dependente delas de tal maneira que a gente começa até a pautar as nossas escolhas de vida pra acomodar essas coisas. Tipo deixar de morar num apartamento legal mas que não tem garagem porque temos um carro que não precisamos ter. Ou ficarmos num emprego com o qual não estamos felizes porque temos que pagar despesas que, no fundo, não precisamos ter (IPVA, seguro, manutenção, gasolina, estacionamento).

Então eu resolvi ficar pelo menos 3 meses sem carro, experimentando a vida sobre duas rodas e táxi.

O outro começo – A Corrida

Há um ano, comecei a correr. Minha vida não estava boa. Estava estressada no trabalho, estava estressada no casamento, estava estressada com meu filho. Estava cansada. Pode parecer incrível, mas não comecei a correr para perder peso ou para ficar em forma: comecei a correr pra ter uma hora só pra mim, sem marido, sem filho, sem emails, sem telefone. Só eu, a música e as pegadas no chão.

Aquele era o meu momento. Mas, há um ano, era um mini-momento: no meu primeiro dia consegui correr exatos…UM minutos. Yeah! Quase morri. Parecia que meu coração estava subindo uma escadinha interna em direção à minha garganta. Tinha feito uma mega playlist animada, comecei a correr com Don’t Stop me Now do Queen e um minuto depois todas as células do meu corpo gritavam stop me NOW pelamordedeus!

Poderia ter desistido, mas quem me conhece sabe que persistência is my middle name. Como tinha me proposto a 1h de exercício, caminhei 59 minutos e fui pra casa. No dia seguinte, lá estava eu de novo. Consegui aumentar 30 segundos, ouvi metade da música, geit.

Pensei comigo: o seu único dever é comparecer. Vem. Não desiste, sua mané. Alguns dias depois, corri minha primeira música inteira, foram quase 3 minutos de muita emoção. E continuei aparecendo na pista dia sim, dia não. Quando consegui correr 10 minutos, fiquei, como todo corredor, viciada no barato das endorfinas. Aí já era. Um km, 2, 3, e um mês e meio depois, minha primeira prova de 5k.

Falei em “outro começo” porque a corrida foi um dos meus primeiros passos em direção a uma vida melhor, com mais saúde e menos estresse.

Se eu – uma total couch potato até então – consegui, qualquer um consegue. Basta ter paciência, show up todos os treinos independente do resultado, não se cobrar demais e ajustar as expectativas – não adianta achar que vai virar um queniano em uma semana (mas olha, quando você consegue correr os primeiros 10 minutos a sensação é muito parecida…).

E fazer playlists espertas e animadas sempre ajuda.