O que eu não faço mais – 2

Não vou ao supermercado. Gente, eu não nasci pra isso. As internetes estão aí pra fazer a nossa vida melhor, e me explica por quê eu levantaria meu rabo gordo da poltrona pra ir a um lugar que, ultimately, eu detesto, se eu posso fazer isso mais rápido e melhor e mais barato do conforto do meu lar?

Sim, mais barato porque, se eu piso no mercado, minhas compras já saem uns 250 reais mais caras, porque eu sou movida pelo visual e pela gula e fico achando que waffle congelado é artigo de primeira necessidade, e como eu posso viver sem cobertura de sorvete de açaí – independente de ter sorvete em casa ou não – meldels?

Isso sem falar nas vantagens mais óbvias de se fazer compras em casa: não carregar peso (odeio!) e não ver gente (eu adoro gente, mas a minha gente, sacumé? tipo vamos todos nós ao mercado na mesma hora e local e eu vou ficar feliz… mas, estranhos? eu dispenso).

Aí uma amiga minha me disse, ao saber que eu nunca, nunquinha que piso no supermercado: “ah, mas na internet nunca tem as coisas mais ‘diferentes’ que eu gosto”. Mas aí que tá, eu quero viver sem essas coisas. Eu quero comer o que tá disponível na estação, não quero comer blueberries no café da manhã todos os dias, to ligada e aceito que moro-num-país-tropical-abençoado-por-Deus-e bonito-por-natureza. E ainda por cima no balneário.

E mesmo que eu quisesse muito consumir o pó de café que um guaxinim – ou coisa que o valha – defeca no meio do deserto depois de ser massageado por 37 virgens muçulmanas, tem uma coisa que eu quero ainda mais que isso, um luxo ainda mais escasso: meu tempo.

Simplicidade e a arte do desapego

“Andei pensando nessa história de simplificar, e vejo que passei a primeira metade da minha vida querendo ter as coisas – todas as coisas – e estou passando a segunda metade querendo me desfazer das coisas, e ficar apenas com o essencial.” (Danuza Leão – É Tudo Tão Simples)

Pára. Se olha no espelho (tá, metafórico, não precisa sair debaixo das cobertas) e se pergunta: o que você está fazendo com a sua vida? Está seguindo o que todo mundo segue?Gostando do que todo mundo gosta? Simplicidade é se perguntar: isso é bom pra mim? É disso que EU gosto? É isso que me faz feliz?

Se não for, a simplicidade é o que vai nos dar a força interna de dizer não a essas coisas (olha aí de novo o desafio de dizer não!) e fazer da nossa casa – e da nossa vida – um lugar mais simples, limpo, organizado, agradável e cheio só de coisas que a gente curte e ama.

Uma vez li que quando a gente ouve falar de minimalismo ou simplicidade a gente pensa em “vazio” – que não é lá muito encantador -, mas que o certo é a gente pensar em “espaço”, que é uma coisa que todo mundo gostaria de ter mais: espaço nos armários, nas agendas, pra pensar, pra brincar, pra se divertir com os nossos filhos, pra experiências novas.

Eu vou começar hoje uma jornada de desapego. Nessa jornada eu vou me livrar de tudo o que me estressa, me distrai e é desconfortável, e vou manter tudo o que me traz alegria e uma sensação de bem estar. Vou eliminar todos os excessos e descobrir quem eu realmente sou.

Tudo o que não for eu: tem que ir.

O que eu não faço mais

“O que eu não faço mais” é um capítulo do livro “É tudo tão simples”, da Danuza Leão, que eu adorei e tem tudo a ver com o meu aprendizado sobre limites. Olha só:

“Houve um tempo em que eu aceitava quase todos os convites que me faziam: não tinha a coragem de dizer não. Mas aprendi, e hoje consigo, rapidinho, inventar uma desculpa, tipo “Vou para São Paulo” é das minhas prediletas, nela todo mundo acredita, e tem sempre o atraso do avião, o vôo que foi cancelado, enfim, as companhias de aviação são sempre as responsáveis por tudo. Mas quando você tem a coragem de dizer a verdade, a vida fica mais simples e bem mais fácil. A minha ficou. Só não vale dizer: ‘Dia 18 vou estar doente.’”

O resto do capítulo é a lista (hilária) das coisas que a Danuza não faz mais, e termina com a sugestão de que você faça a sua própria lista das coisas que você ainda faz, mas não pretende fazer nunca mais. A minha lista é um work in progress ainda, mas já consegui definir algumas coisas.

Eu não vou mais em festa infantil com o Davi quando eu não conheço ninguém que vai estar na festa, nem a família do aniversariante. Mando Davi + empregada + presente + 50 Dilmas pro táxi e todos felizes para sempre.

Eu não recebo mais as pessoas na minha casa com prataria e cristais porque né, dá um trabalhão ficar areando tudo, quebram minhas taças e ninguém tá nem aí no fundo. Tenho milhares de jogos de tudo, mas não fico mais quebrando a cabeça procurando onde está ou querendo botar tudo combinando na mesa, desculpa aí amigos mas eu não sou a Martha Stewart e na minha casa rolam pratos desencontrados, potinhos de todos os tamanhos e cores e, dependendo da intimidade, eu já nem mesa mais boto, façamos os pratos na cozinha e boua. Aliás, dependendo do tamanho do meu saco, eu peço logo uma pizza e fica todo mundo feliz.

Adoro cozinhar, mas não cozinho mais pra muita gente, salvo raras exceções tipo a minha mãe querer meu risoto de camarão no Dia das Mães pra família toda (mãe tem super trunfo, pode tudo). Aliás, cozinhando ou não, eu não recebo mais de 5 pessoas em casa pra comer. Se possível, só 3. Não gosto de ninguém mal instalado na minha casa e a minha mesa dá pra 6 pessoas, ponto.

Não divido quarto de hotel, muito menos cama. Gosto de me espalhar no banheiro e na cama, e prefiro continuar não sabendo se a minha amiga ronca ou não.

Não convido mais ninguém pro meu aniversário por educação. Muito menos se for na minha casa (já fiz muito, mea culpa *bate com a mãozinha no peito*). Aliás, na minha casa não entra ninguém de quem eu não goste e muito. Se por acidente entrar alguém que não curto – amigo de amigo, por exemplo – eu dou logo um jeitinho de cairmos fora. Mi casa su casa o cacete, mi casa MI casa.

Playlist de corridinha

Eu falei “corridinha” porque é isso mesmo: essa é uma playlist sem músicas do tipo “no pain no gain” (ou quase, vai), que são aquelas músicas que só de ouvir você já começa a suar e se sentir mal porque tá correndo muito devagar.

O engraçado é que eu fiz essa playlist pra “corridinha”, aquela corrida de trotinho mesmo, bem cool, um pedaço eu fazia até na areia/grama, e hoje me peguei correndo a 12km/h com ela. Acho que foi porque eu relaxei…rs

Então hoje vou sugerir essa playlist, que é boa pra quem está começando a correr ou pra quem está retomando os treinos e quer pegar um ritmo mais tranquilo (mas que pode evoluir nas mesmas músicas – tempo e contra-tempo!).

Corridinha:

3 músicas pra andar, mais ou menos 10 minutos:

Travie McCoy – Billionaire
Ne-Yo – Because of You
B.o.B – Airplanes

Depois, pra correr:

Ne-Yo – Miss Independent
Maroon 5 – Payphone
Carly Rae Jepsen – Call me maybe
Travie McCoy – We’ll be allright
Ne-Yo – Closer
Eminem – Lose yourself
Taio Cruz – Break your heart
Ne-Yo – Beautiful Monster
Avicii – Levels

E uma pra alongar:
Ne-Yo – So sick

Boa corrida! 🙂

Limites

Em 2011, me dei conta de que tinha um problema com meus próprios limites: eu não sabia muito bem quais eram e muito menos conseguia comunicá-los ao mundo exterior. E sem limites claros não existe o “eu”. E enquanto não existe um “eu” com limites claros do que somos e do que não somos, não tem como superarmos esses limites para praticar a arte da unificação com o mundo.

De um modo mais rasteiro, definir os nossos limites envolve ter a liberdade, coragem e naturalidade de dizer não quando queremos dizer não. E eu sempre tive uma grande dificuldade em dizer não. Ao ponto de me violentar, de fazer coisas contra a minha vontade, de passar por cima de mim mesma para fazer a vontade alheia.

Ainda sou aprendiz da arte de dizer não. Ainda estou identificando, com certa dificuldade e meio que na tentativa e erro (típica dos Sagitarianos) quais são os meus limites e o que eu não sou. Aprendi que quando dizemos não, o melhor na grande maioria das vezes é não justificar. Porque, quando a gente justifica, a gente abre espaço para o interlocutor questionar a nossa decisão, oferecer alternativas, insistir, julgar a nossa justificativa. Quem, como eu, tem dificuldade de dizer não, tem que aprender a dizer “não porque não”, não e ponto final.

Alguém mais tem dificuldade de saber ou impor os seus limites? De dizer não? Quem não tem dificuldades ou já teve e conseguiu superar: alguma dica boa?

O fim do mundo

Quando dizem que o mundo vai acabar em 2012, eu concordo. Não numa bola de fogo e fumaça, nem afogado em tsunamis ou lava de vulcões malucos. Mas o mundo que a gente conhece vai, sim, acabar. Talvez não seja em 2012 – quem dera! – mas em breve teremos um mundo diferente e quem resistir à mudança e se apegar ao passado vai se tornar dispensável e obsoleto.

O mundo vai acabar porque, a cada dia, mais e mais pessoas estão cansadas do mundo como ele é. Mais pessoas querem um mundo mais justo, mais sustentável, mais ético, mais simples. E cada vez mais pessoas estão parando pra pensar – ou repensar, no caso dos mais velhos – quem são, do que realmente gostam (e não do que foram convencidos a gostar), como querem viver, o que as faz felizes.

Os produtos e marcas que vendem/entregam status em vez de felicidade vão acabar. Os produtos e marcas que destroem a natureza desnecessariamente vão acabar. Tudo o que isola em vez de aproximar as pessoas vai acabar. Tudo o que destrói em vez de construir vai acabar.

No lugar disso tudo, vem aí um mundo diferente, com foco nos relacionamentos, na conexão maior das pessoas com a natureza, no uso racional dos recursos, na simplicidade.

Eu acho que vai ser um mundo bem melhor.