Corrida 80s

Essa playlist é super querida porque eu AMO músicas 80s. No meu Itunes tem mais ou menos 10 HORAS de 80s e eu posso tranquilamente fazer umas muitas playlists de corrida 80s sem repetir nadinha (mas terei que recorrer a coisas como Dominó e Trem da Alegria, e alongaremos ao som de Rosana…). É uma corrida bem animada e, se notarem, coloquei uma musiquinha a mais do que de costume.

Pra aquecer, 11 minutinhos de caminhada:

Girls Just Wanna Have Fun – Cindy Lauper
Wake Me Up Before You Go Go – Wham!
Ask -The Smiths

Pra corridinha (35 minutos, vai, nem é muito!):

Close to Me – The Cure
Bizarre Love Triangle – New Order
Dancing With Myself – Billy Idol
Boys Don’t Cry – The Cure
Footlose – Kenny Loggins
Karma Chameleon – Culture Club
Faith – George Michael
Take on Me – AHA
What a Feeling – Irene Cara
Eye of The Tiger – Survivor

Pra alongar:

The Goonies R Good Enough – Cindy Lauper

Boa corrida!

Corrida – Dicas pra quem está começando

Antes de mais nada vamos ao disclaimer – a pessoa sai da advocacia mas a advocacia não sai da pessoa -, eu não sou corredora profissional, queniana, nutricionista, fisioterapeuta, ortopedista, personal trainer ou professora de educação física. Sou só uma zé ruela como você e corro muito meiabocamente há pouco mais de um ano (antes disso eu conseguia ANDAR uns 6 minutos no teste ergométrico e o médico RIA da minha cara).

Tava correndo hoje pensando que, daqui a 4 dias vou operar e vou ter que ficar pelo menos 1 mês sem correr e, quando voltar, estarei na estaca zero (que não é muito longe de onde estou hoje, anyway, mas puxa, é um mini-retrocesso) e daqui a um mês vou ter que começar tudo de novo. Aí lembrei do meu começo na corrida e pensei em uma lista das minhas dicas para quem está começando. Lá vai.

♥ A não ser que você já tenha de bobeira um par de tênis mega fodão encostado no seu armário, compre um par de tênis próprio para corrida. Você encontra tênis de boa qualidade por menos de 300 Dilmas (algo tipo 299,99 hahaha) e divide em 10 prestações se estiver pobrinho. Não chora: custa mais barato que uma mensalidade de academia e muuuuito mais barato do que as milhões de sessões de fisioterapia e hidroterapia que eu tive que fazer por três meses por conta de duas lesões que consegui por correr com um par de tênis véio e fuleiro. I’ve learned it the hard way, se beneficie da minha burrice.

♥ Tirando o par de tênis, não fique se enganando que precisa disso ou daquilo pra correr (GPS, Ipod, meias especiais, garrafinha de água, etc.). Tudo isso pode ser legal, mas NÃO É ESSENCIAL. Faça como eu e se chantageie, quédizê, se motive se prometendo essas coisas se você cumprir alguma meta (correr o seu primeiro km, correr 10 minutos sem andar, não faltar os treinos, fazer sua primeira prova de rua, etc.).

♥ Respire pela boca. Não é que pode?

♥ Leve água ou dinheiro pra água se não estiver acostumado a respirar pela boca. A garganta vai secar.

♥ Aprenda a se observar. Preste atenção no seu corpo a cada treino, o que funciona, o que não funciona, o que ajuda, o que atrapalha. Por exemplo, eu abandonei a cinta do GPS porque meu coração é meio maluco e não adianta muito eu seguir os batimentos: às vezes estão altos e eu estou me sentindo super bem, às vezes estão baixos e eu estou morrendo. Eu treino respeitando meu corpo, sigo o que os professores chamam de Escala de Borg, uma escala de percepção subjetiva de esforço (googlem, pequenos gafanhotos). Eu adaptei os níveis de esforço pra: tá fácil, tá tenso, ta foda, e MORRI.

♥ Você NÃO está competindo com os amiguinhos do lado.

♥ O primeiro km é sempre pior. Pense nisso enquanto estiver nele, que daqui a pouco acaba e chegam as nossas amigas endorfinas.

♥ Se motive como for possível. Arrume um amigo pra correr junto, prepare uma playlist animada, converse com outros amigos corredores (oi, tamos aí!), faça um blog, tire fotos suas, sei lá, vale tudo.

Boa corrida!

A arte perdida de se perguntar – Parte II

Depois do meu texto sobre a arte perdida de se perguntar, algumas pessoas comentaram comigo que ficar se perguntando sobre tudo na vida seria muito trabalhoso, porque tudo se transformaria numa decisão.

Fica a dica: você toma decisões – pequenas e grandes, bobas e importantes – todos os dias, quer você pense, reflita e se pergunte antes ou não.

O que eu não faço mais

Não uso mais salto alto. Passei 15 anos da minha vida trabalhando em ambientes onde as mulheres deviam usar salto alto – não era regra, mas era ‘de bom tom’. Na hora de sair à noite, não fazia sentido descer do salto. De sapatos baixos eu me sentia menos “eu”, mas na verdade o que eu estava me sentindo era menos o meu personagem, a Paula advogada, poderosa, no controle de tudo.

Nesse ano, mesmo antes de parar de advogar, comecei a descer do salto. Comecei a trabalhar cada vez mais de sapatilha e me sentir muito bem com isso. Um dia, saí de noite de havaianas pra tomar um chopp com os amigos. Nessa mesma noite, 4 pessoas me disseram que eu estava muito bonita. Foi libertador.

Me dei conta de que eu SOU grande, independente do sapato que esteja usando. E que sou uma pessoa muito melhor quando estou à vontade, confortável, pulando, correndo, saltitante, simplesmente porque estou sendo mais “eu”. E, curiosamente, quando estou sendo eu – leia-se, uma oompa loompa nanica de 1,63m – as pessoas se aproximam mais, puxam mais conversa, fazem mais amizade.

Acho bonitos alguns sapatos de salto alto, continuo tendo alguns e muito eventualmente até posso usar, mas não sinto mais a necessidade e muito menos a obrigação. Nem na noite, nem em festa, nem mesmo em casamento. Uso só quando estou muito a fim. Chique mesmo é ter estilo, é ser fiel a você mesmo. E essa foi a minha escolha.

Por um mundo com mais empatia

Ontem, quando estava correndo, senti um vento na orelha e ouvi alguém gritando alguma coisa. Eu estava, naturalmente, ouvindo minha playlist de corrida e vi que passava por mim uma mulher de bike, irritadíssima porque eu não estava na extrema direita da pista. Ela gritava algo na linha de: “fica aí ouvindo música e não escuta a buzina! Tem que correr no canto!“

Eu estava errada, claro. Me distraí com a minha corrida, minha música e minhas endorfinas e atrapalhei a ciclista. Eu sou ciclista também e sei que atrapalha e irrita. Mas também sei o quanto tenho medo, quando estou na bike, de levar as famosas “finas educativas” de carros e ônibus que estão irritados com o ciclista seja lá por qual for o motivo. Aposto que aquela mulher de ontem também tem medo da fina educativa, mas não pensou duas vezes antes de me dar uma quando se viu na posição mais forte.

Nas ruas, assim como na vida em geral, o mais forte tem que ter cuidado com o mais fraco. O motorista tem que ter cuidado com o ciclista, e este tem que ter cuidado com o pedestre. Todo mundo usa mais de um chapéu: quem é motorista também é pedestre, às vezes também é ciclista (nem que seja só nos fins de semana), quem é pedestre também anda de carro, de ônibus, de bike. Não devia ser assim tão difícil ter um pouco de paciência e compreensão com quem está do lado.

Empatia é a nossa capacidade de perceber o estado emocional de outras pessoas ou, em outras palavras, de nos colocarmos no lugar do outro. É a minha capacidade de, quando estou de bike, olhar o corredor distraído no meio da ciclovia e pensar que ele está ouvindo música, pensando na vida, tendo o seu momento de alegria com as endorfinas, e simplesmente se esqueceu de ir pro cantinho.

Ou de entender a impaciência e irritação do motorista de carro – que está naquele trânsito louco e ainda não foi educado para conviver pacificamente com bikes nas ruas. E, nas duas situações, colocar a minha posição de uma forma mais humana, mas gentil e menos rabugenta e grosseira.

Onde tem empatia, tem educação, tem paciência e tem gentileza. E, como já dizia o profeta, “gentileza gera gentileza”.

A reação da mulher comigo ontem poderia ter sido completamente diferente, ela poderia ter uma atitude de cuidado, de me educar (talvez eu não soubesse que o corredor deve ficar à direita!), e eu teria recebido isso de outra forma, teria agradecido até.

Nunca me esqueço de, no dia seguinte ao enterro do meu pai, ser tratada com grosseria no trânsito – já nem lembro por quê – quando ia de carro buscar meu filho no berçário. Aquela bobeira me fez chorar porque eu estava fragilizada mas, acima de tudo, porque me entristeceu deveras estar num mundo em que as pessoas eram grosseiras gratuitamente, sem pensar que do outro lado podia estar alguém que acabou de enterrar seu pai.

A gente anda pelo mundo se relacionando com as pessoas sem saber muito das suas vidas, das suas histórias. Todo mundo tem uma história, tem problemas, dramas, experiências diferentes. A gente não quer saber, a gente não se pergunta, a gente não se interessa, a gente não se coloca no lugar, a gente não tem empatia.

Já foi comprovado cientificamente que até alguns animais – como os chimpanzés e orangotangos – são capazes de ter empatia. A definição é feita por meio do chamado “teste do espelho”: se o animal consegue se reconhecer no espelho (e não pensar que se trata de um outro animal), ele tem consciência de si mesmo e essa auto-consciência permite que ele infira o estado mental de outros animais.

O que será que significa, então, a gente ter tão pouca empatia?

A arte perdida de se perguntar

Ontem conversando com um motorista sobre o trânsito, os engarrafamentos e minha escolha recente por não ter mais carro e andar de bike, metrô, ônibus e esse equipamento super moderno, portátil e tecnológico que são os meus pés, me dei conta de que um dos grandes problemas do mundo hoje é que o ser humano perdeu a arte de se perguntar.

Eu ponho a culpa na velocidade estúpida do mundo, na sensação que a gente tem o tempo todo de que está perdendo tempo com alguma coisa que nem sabe o quê, e nessa coisinha tão confortável que é a inércia, o go with the flow.

O motorista me perguntou por quê eu decidi não ter mais carro e eu me dei conta: porque eu parei cinco minutos pra me perguntar se eu realmente precisava de um carro. E me dei conta do quanto eu odeio ter que cuidar de um carro, botar gasolina, lavar, manter arrumado, fazer manutenção, fazer vistoria, ter carteira de motorista em dia, procurar vaga, pensar antes de sair de casa se vou ou não beber, achar que não vou beber e chegar no lugar e descobrir que é open bar e eu to com o maldito carro, pagar IPVA, seguro, extintor de incêndio que não saberei usar na hora do incêndio, manobrar o carro pro meu vizinho tirar o dele da garagem e, enfim, todas as coisinhas chatas que estão no entorno deste bem supostamente tão indispensável que é o carro. Que eu praticamente só usava pra ir pro trabalho, um lugar pra onde eu não precisaria mais ir.

(não vou falar em poluição porque confesso – envergonhada – que num primeiro momento nem pensei nisso, mas fica aí mais um ponto para se pensar)

Cinco minutos de reflexão, decisão tomada com consciência, alinhada com as minhas crenças, meus valores, meu estilo de vida, minha necessidade, meu orçamento, minha realidade. Olha que joia.

Aí esse motorista me deixou no Projac, onde eu gravei (ontem) o piloto do programa da Fátima Bernardes e falei sobre adoção. E, conversando com as pessoas por lá sobre por quê eu escolhi adotar já que poderia ter engravidado, me veio à mente de novo a questão da arte perdida de se perguntar. Eu me perguntei, há mais ou menos 4 anos: faço questão de engravidar? Parir? Amamentar? O que é ser mãe pra mim, afinal? É isso? O que é um valor maior pra mim?

Mais uma vez, decisão tomada com consciência, alinhada com as minhas crenças, meus valores, meu estilo de vida, minha necessidade, meu orçamento, minha realidade. Alouco, hã?

Se tenho curiosidade de engravidar? Olha, tenho curiosidade de milhares de coisas nessa vida, muitas delas coisas que certamente jamais farei, como pular de pára-quedas, andar na Lua ou transar com o Colin Firth. Bom, vou corrigir pra ‘provavelmente’ jamais farei porque né, ainda tenho alguma esperança com o Colin Firth. Mas é isso, só curiosidade, e ao contrário do ditado, não mata não.

Quem tem – ou quer ter – filho biológico pode também se perguntar se não tem curiosidade de receber um telefonema no meio da tarde falando de uma criança, ir num abrigo, pegar essa criança nos braços e sentir a indescritível sensação de saber que É o seu filho.

Acredito a sério que muita gente ao se perguntar: por quê não adotar?, se surpreenderia com a resposta. Falta só parar aqueles cinco minutinhos pra uma reflexão.

E quanto mais eu penso – desde ontem – mais eu vejo que isso se aplica a tudo que eu venho mudando na minha vida pra ter uma vida melhor. Desapegar de um mundo de tralha que tenho em casa? A arte perdida de se perguntar: eu preciso mesmo ter isso? Comer bem, me exercitar, cuidar de mim? A arte perdida de se perguntar: é isso que eu quero pra minha vida, pro meu corpo? (em especial quando estiver no caixa da padaria com cinco pacotes de baconzitos).

Vamos resgatar a arte perdida de se perguntar.